Na noite do dia 5 de agosto de 2012, no Estádio Olímpico de Londres, Usain Bolt cruzou a linha de chegada para manter o título dos 100 metros, com um tempo de 9,63 segundos. Apenas 162 segundos mais tarde, as fotos de seu triunfo já estavam nos desktops dos clientes da Getty Images em todo o mundo.

O momento vinha sendo planejado há seis anos. Uma equipe de mais de 100 fotógrafos, editores, técnicos e pessoal de suporte foi reunida e 40 Km de cabos foram passados por Londres (cabeamento que teve de ser removido imediatamente quando os Jogos terminaram). Câmeras controladas remotamente foram posicionadas nos telhados e torres de holofote do estádio.

Era algo distante de nossas coberturas dos principais eventos esportivos.

Em 1968, um homem chamado Tony Duffy tinha financiado suas próprias despesas para chegar às Olimpíadas do México. Ele voltou para casa com uma imagem icônica de Bob Beamon quebrando o recorde de salto em distância. Com a força dessa foto, publicada por toda parte, Tonny abriu uma empresa chamada Allsport, que viria a se tornar a maior agência de fotografia esportiva de seu gênero. Quando a Getty Images adquiriu a Allsport durante as Olimpíadas de Inverno de 1998 em Nagano, no Japão, não era apenas a fundação de nosso braço editorial, mas o modelo sobre o qual a força desse braço foi construída.

Desde então, houve muitos marcos e avanços, especialmente depois da passagem para o meio digital, no final dos anos 90, quando a saída de imagens de grandes eventos passou de cerca de 150 por dia para 5.000, e não parou de crescer. Mas nossa cobertura de Londres 2012 foi, de longe, a mais completa jamais feita de um evento esportivo.
Foram tiradas quase 1,5 milhões de fotos (quatro vezes mais até que em Pequim), das quais 86.000 foram disponibilizadas para os clientes. As imagens do website de Londres 2012 – todas fornecidas pela Getty Images, como os fotógrafos oficiais do Comitê Olímpico Internacional e do Comitê Organizador Local – alcançaram quase 5 bilhões de visualizações.

“Quando o evento começa”, disse Ken Mainardis, Vice- Presidente de Imagens e Serviços de Esportes, “você e a sua equipe do projeto já vêm desenvolvendo todas essas coisas – tecnologia, infraestrutura, agendas de cobertura, logística, planos – há muitos anos. E, basicamente, você está empurrando uma pedra até o topo da montanha. No momento que o evento começa, essa pedra está rolando montanha abaixo. Todo o planejamento foi feito para colocar a pedra na trajetória certa, para ela que tome a trilha certa. Porque, em um grande evento, com tanta coisa acontecendo, não há tempo para mudar a direção da pedra. Se algo der errado, é muito difícil colocar as coisas de volta nos trilhos.

Abraçando a nova tecnologia: Inovação em imagens

Além da simples escala, a cobertura das Olimpíadas de 2012 tornou-se ainda mais difícil porque decidimos explorar novas maneiras de criar imagens dramáticas. “Estamos realmente tentando inovar em termos de fotografia interativa”, disse Ken. “O que inclui 360º, panorâmicas, gigapixels – resolução muito, muito alta – fotos em 3D e câmeras robóticas.”

Essas últimas são especialmente relevantes na fotografia de esportes, pois as câmeras podem ser colocadas em locais que seriam inacessíveis aos fotógrafos, mas ainda garantindo flexibilidade e controle. “Na próxima Copa do Mundo, teremos câmeras remotas nos telhados que, em vez de serem fixas, poderão acompanhar a ação. Basicamente, o fotógrafo usará um joystick, que dará a ele total controle da câmera. Assim, tudo que você faria com uma câmera de mão, poderá fazer remotamente. Você pode reenquadrar continuamente a imagem, aumentando a probabilidade que a ação entre no frame.

Com todos esses avanços e todas as emocionantes possibilidades que esses desenvolvimentos criaram, a qualidade do produto final ainda é a principal preocupação de Ken. “Normalmente não importa aos nossos clientes e seus leitores quem fez a foto e como. O que eles querem é a melhor foto possível, a mais interessante. É por isso que grande parte de nosso foco é garantir que podemos oferecer um material atraente, que não seja igual ao que todo mundo fotografou. Queremos algo exclusivo.”

Essa originalidade é obtida de duas maneiras, que são fundamentais para o modus operandi de nossa divisão editorial. A primeira é a especialização.
“A Getty Images sempre acreditou que os melhores fotógrafos de esporte são especialistas em seu campo … especialistas em esportes motorizados, especialistas em golfe, etc.,” disse Ken. “Assim como um escritor pode dar aos leitores uma visão melhor se for especialista no assunto que está cobrindo, o mesmo acontece com o fotógrafo. E, é claro, que é mais provável que você capte o momento-chave se sua experiência o ajudar a prever esse momento.”

A força da parceria

O outro caminho para um trabalho diferenciado é o que nós seguimos vigorosamente desde que entramos na cena editorial em 1998: desenvolver relacionamentos com organizadores e órgãos dirigentes, que nos dão acesso exclusivo a certas áreas dos eventos. Essa foi uma vantagem decisiva em nossa cobertura das Olimpíadas de Londres e será ainda mais evidente na Copa do Mundo no Brasil.

“Basicamente, seremos a operação fotográfica da FIFA. Nossos fotógrafos trabalhando para a FIFA terão acesso a partes dos estádios onde ninguém mais entra; eles trabalharão perto de posições no campo que ninguém mais tem, então poderão mostrar uma perspectiva única, seja dos vestiários ou perto dos bancos. E isso estará disponível exclusivamente através da plataforma de distribuição da Getty Images. Isso dará um outro nível de profundidade ao que fizermos.”

Acomodar-se na liderança não está nos planos da Getty Images, à medida que as Olimpíadas de Inverno de Sochi e a Copa do Mundo de 2014 se aproximam.

“Nós certamente não nos deitamos sobre nossos louros”, disse Ken. “As áreas em que sempre continuaremos a trabalhar são: 1) nossos relacionamentos – sempre procuramos novos modos de trabalhar com parceiros comerciais e órgãos governamentais, 2) o valor que levamos às empresas de esporte e a nossos parceiros, e 3) a distribuição de conteúdo. Precisamos focar muito no futuro para sermos uma ‘plataforma agnóstica’. Durante muitos anos, neste negócio, você distribuiu seu conteúdo via alimentação por cabo ou então as pessoas acessavam seu arquivo e extraíam o conteúdo. Estamos investindo nosso tempo em pensar em APIs (interfaces de programação de aplicativos), na integração das pessoas com nossa própria infraestrutura, de forma que elas façam parte de nosso ecossistema, e na monetarização de nosso conteúdo mais para a frente no fluxo, mais longe de onde ele é gerado. Esses tipos de modelos de distribuição serão chaves no desenvolvimento de onde isso tudo vai caminhando.”

E a distribuição só vai se acelerar ainda mais, à medida que os clientes exigirem e a tecnologia o permitir.

“Parece que 162 segundos é rápido, mas haverá uma corrida acirrada e contínua para reduzir cada vez mais a velocidade de chegada ao mercado”, disse Ken. “Alguém conseguirá fazer isso em tempo real, algum dia. Não importa quem vai conseguir, isso vai se tornar muito importante imediatamente.”

Não aposte que a Getty Images não vai chegar lá primeiro.